A LUTA PARA PERMANECER

Em Planaltina, cidade do interior goiano do chamado entorno de Brasília, construída para dar continuidade ao antigo município de mesmo nome, isso depois que o Distrito Federal instalou-se a partir de 1960, apossando-se da velha sede municipal, hoje Planaltina-DF, existem problemas estruturais diversos e, dentre eles, o crescimento desordenado da cidade e a falta de investimentos públicos capazes de acompanhar o crescimento populacional e minorar a gama de problemas existentes.
A Quadra 01, do Setor Norte, primeira área da nova Planaltina a ser habitada a partir da década de 1970, quando, definitivamente, resolveram-se os problemas políticos que envolveram a transferência da sede e, de fato, iniciou-se a construção do que é hoje uma cidade com mais de 100 mil habitantes, tornou-se no local que mais recebe as águas pluviais que caem em todo o perímetro urbano, especialmente dos Setores (Bairros) Norte e Leste. transtornando aos moradores e a autoridades quando chega o período chuvoso que, invariavelmente ocorre entre os meses de outubro e abril, todos os anos. Neste período os moradores buscam morar fora da localidade para não verem o aguaceiro invadir suas residências.
Neste cenário é que aparece o morador Gilson José da Silva, o conhecido Gilson dos Correios, residente na localidade há mais de 30 anos e que resiste bravamente para não deixar seus pertences, tendo para isso executado um trabalho gigantesco para proteger a si e à sua família. Gilson subiu a estrutura de sua residência por mais de 2 metros e trabalha buscando evitar que as águas entrem em sua residência.

Segundo Gilson, todos os anos a água invade as casas da região, mas na cheia de 2019 foi assustador. disse. “Tivemos mais de dois metros de água aqui na rua de minha casa, a Casa das Irmãs Oblatas do Menino Jesus foi invadida, minha mãe perdeu tudo naquela sua casa (aponta para a casa de sua mãe do outro lado da rua). É coisa que até os engenheiros duvidam”, explicou, chamando a atenção para os lotes vagos nas imediações, em consequência das cheias que ali ocorrem.
“É muito difícil acreditar na fala dos políticos, mas espero que um dia possam tomar consciência para sanar este problema, que afeta muitas famílias da cidade”.
A residência de Gilson chama a atenção de quem anda por aquelas banda, já que ele levantou o grid de sua construção mais de 2 metros de altura do nível da rua, toda feita em chapas de aço. Uma obra para marcar a necessidade de providência das próximas administrações do município.



Mais de dois metros de altura do nível da rua. Em 2019 a água alcançou as paredes da casa.

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