Joaquim Roriz, o primeiro governador eleito na história de Brasília, ainda hoje marca espaço contra o PT no Distrito Federal
O Distrito Federal, Brasília, foi o último reduto a receber o benefício do regime democrático alcançado pela Constituição de 1988. Enquanto nos estados as eleicões de governadores já tinham sido liberadas em 1982 e nas cidades do interior nunca deixaram de existir, Brasília continuava como região de QG, com o governador sendo indicado pelo presidente da República, sabidamente um General de carreira. O regime militar imposto em 1964 foi bem sutil, se assim pode dizer, quanto a criação de sua política-administrativa. Aonde “um cabo e dois soldados” pudesse dominar, o direito a eleicão estava garantido.
Mas, Brasília era muito importante como estratégia de governo. Afinal, aqueles militares que assumiram o governo a partir de 1964 eram os mesmos que assumiram, juntos com JK, a necessidade de mudança da Capital para o interior brasileiro e, não fossem eles, certamente, o novo Distrito Federal teria se definhado. Assim, Brasília conseguiu uma série de benefícios tidos como indispensáveis pelos governos, tornando-se em filha dileta da nação inteira e merecedora de especial cuidado dos militares, seus grandes patronos. Daí seu atraso no tocante a eleições. Afinal, o Comando Militar da época não viera para ser democrático e Brasília não poderia cair em mãos que não comungassem com os ditames do Consulado dos EUA, que em 1968 sofrera atentado em São Paulo, justamente por apoiar o regime imposto havia quatro anos.
Em 1990 Brasília começaria a exercer o direito ao voto e elegeria Joaquim Domingos Roriz (PTR) como seu primeiro governador eleito pós Regime Militar. Ele já exercia a função de governador biônico, indicado pelo último presidente daquele período, seu amigo pessoal José Sarney. Ele Roriz era um político vindo do MDB, contra o regime mas, amigo do Presidente da República do regime, herdeiro da liderança com a morte de Tancredo Neves. Sarney como camaleão, mutara para o lado anti-militar e em 1990 contribuiria, decisivamente, para com a eleição do amigo Roriz, goiano da vizinha Luziânia, antiga Santa Luzia da Marmelada.
Brasília definia naquela sua primeira eleição que as influências externas eram primordiais para encaminhar o voto do cidadão candango, brasiliense, mesmo porque o sistema eleitoral recém criado contemplava uma gama expressiva de eleitores sem nenhuma experiência quanto a votar, isso, devido ao isolamento anti-democrático imposto à Capital até aquele momento. Os concorrentes de Joaquim Roriz foram, literalmente atropelados. Aí iniciava-se a formação do eleitor de Brasília que, muito embora composto de expressivo contingente de funcionários públicos (do alto escalão nacional) preferem levar seus votos para a direita, ignorando as lideranças petistas locais. Aliás, de 1990 até às últimas eleicões 2024, já se foram nove pleitos e somente dois deles foram vencidos pelo PT (Cristovão Buarque e Agnelo Queiroz), respectivamente nos períodos de 1995 a 1999 e 2011 a 2015.
As eleições que levaram Cristóvão ao Governo do Distrito Federal – GDF – foram as de 1994, justamente a segunda vez que o eleitorado brasiliense ia às urnas. Foi um barulho inacreditável, tendo o próprio PT, quando já no governo do GDF, aberto fogo amigo contra o governador que criara a Bolsa Família e era, sem dúvidas um importante quadro do Partido. Cristóvão era uma cabeça coroada da Educação Nacional, pernambucano, culto, inventivo que poderia fazer sombra ao líder petista que chegaria à Presidência da República (2002) depois de duas derrotas e, sabe-se, o PT nunca admitiu outro líder ameaçando ao seu fundador. Dividido em Brasília, levou Cristóvão a perder na tentativa de reeleição para Joaquim Roriz, quando Lula chegava a Presidência. Cristóvão levado a filiar-se ao PDT ainda foi chamado para ocupar o cargo de Ministro da Educação do governo Lula e, inexplicavelmente, demitido por telefone quando iniciara o trabalho. A plantação petista não conseguiu crescer nem mesmo com a primeira eleição de Lula a Presidência, vindo a brotar só com a segunda vitória de Dilma em 2014 com Agnelo Queiroz.
Outro entrevero petista e Agnelo não se reelegeria mesmo com a segunda vitória de Dilma Rousseff. O PT de Brasília não conseguia entender-se e as forças de Centro (direita/esquerda), originárias de Joaquim Roriz continuariam a comandar as ações de Brasília, ora em conjunto ora contra o governo federal. Hoje o PT de Brasília vê-se no dilema de combater o bolsonarismo, tendo (Michelle) originária de Ceilândia e agora, Arruda, cria de Roriz, crescendo na intenção de voto para governador. Vê-se que o espaço para que o Partido dos Trabalhadores de Brasília lute pelo GDF está curto e assiste ao crescimento do centro com Arruda e da direita com Celina Leão. Em Brasília, dificilmente, dado o quadro atual, Lula vencerá as eleições.





