PROBLEMA DO TRANSPORTE DO ENTORNO

 

O problema do transporte público para Brasília e vice versa no chamado Entorno é antigo e tem merecido uma série de movimentos da sociedade buscando uma solução duradoura. Entender a questão é complicado até mesmo para as autoridades públicas (Prefeitos, Vereadores) que, são os que devem trabalhar para encontrar a saída.

Em Planaltina, especialmente, tem data no final da década de 1990, quando a Empresa Rápido Planaltina, do Grupo Amaral foi literalmente apedrejada e inviabilizada de funcionar no município, onde iniciara sua existência e já trabalhava por mais de vinte anos. Uma guerra aberta contra o Grupo Amaral durou cerca de 60 dias, incluindo quebra-quebra de ônibus, paralização do transporte com barricadas na rodovia DF 128, passeata a pé de Brasília a Planaltina e greve de fome do prefeito e, por fim autorização do governo para que qualquer empresa funcionasse nas linhas já abandonadas pela Rápido Planaltina, que fora, não somente pelo movimento, totalmente sucateada.

O vereador Carlin Imperador lamentou a situação e disse aos seus pares que a Câmara sendo subserviente ao prefeito não poderá ajudar muito.

Desde aquele movimento popular que mereceu o apoio pessoal e material da prefeitura municipal através do prefeito da época, Sr. José Olinto Neto, o popular Zé Neto, que Planaltina não conseguiu mais contar com empresa capaz de, mesmo sob pressão, resolver o problema do transporte para a Capital Federal. É comum ouvir de populares que aqui tinha uma empresa, referindo-se a Rápido Planaltina. Tornou-se discurso mentiroso de candidatos a prefeito de Planaltina (Dr. Davi, Delegado Cristiomário) dizendo que resolveria o problema, sendo eleito para administrar o município.

“Hoje chegamos a esta situação, vendo a cidade sitiada por barricadas que reivindicam, com justiça, menor preço das passagens, enquanto há poucos meses o prefeito de nossa municipio ria do pedido deste vereador, que reivindicava em audiência pública na SEMOB – Secretaria de Mobilidade de Brasilia – subsídio para as passagens do Entorno. Será que estamos vendo o delegado que é prefeito, sendo honesto para com nossa população ?” indignava-se o vereador Carlin Imperador(PROS) usando a tribuna, em reunião desta manhã (05/12/22) na Câmara de Vereadores planaltinense.

O sistema de transporte público no Entorno de Brasília não pode fazer uso da legislação das chamadas Regiões Metropolitanas que são criadas tendo um só estado da federação como responsável, ou seja: Região Metropolitana de Goiânia é dentro de Goiás, Região Metropolitana de Fortaleza é dentro do estado do Ceará e daí por diante mas, em Brasília  os entes federados do Entorno, que seria em tese a região metropolitana, são três: Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Assim,  qualquer entendimento para atender a região que é o Entorno, depende da união dos três Estados envolvidos. Com esta legislação era a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT – no antigo Ministério dos Transportes que era o responsável pelo problema. Muito longe, portanto, do alcance municipal.

Para se chegar ao entendimento de que a SEMOB poderia administrar o transporte do Entorno, da RIDE – Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno – foi uma batalha  que chegou a termo no governo de Ibaneis Rocha mas, que demandou tempo, envolvimento técnico de excelência e vontade política de alta complexidade. E veja o resultado! O Governo do Distrito Federal, GDF, administrador e criador da SEMOB autorizou neste final de novembro, início de dezembro um aumento de até 26% no preço das passagens da região.

Planaltina está sitiada como bem disse o vereador e a solução para o problema vai depender, certamente, de subsídio no preço das passagens, senão na há passageiro que aguente pagar tal preço para ir para o trabalho, assim como não há empresa de ônibus que suporte, tendo em vista o sucateamento dos ônibus, a distância a percorrer e o preço abaixo do que pode-se trabalhar.

A solução paliativa já está na ponta da língua: voltar as passagens ao preço anterior mas, e a solução duradoura?

 

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